Vivemos numa era em que os dados se tornam mais preciosos que o próprio petróleo. Enquanto o combustível é uma fonte de energia não renovável, os dados estão em constante renovação, sendo gerados diariamente por cada um de nós através dos posts em mídias sociais, troca de mensagens no whatsapp, etc. Todo esse conteúdo produzido mostra nossas opiniões, sentimentos e, principalmente, nosso comportamento perante o mercado.
Perceba a gravidade em torno do escândalo envolvendo a empresa Cambrie Analytica e o Facebook, em que 50 milhões de pessoas tiveram suas informações coletadas por meio do acesso concedido ao teste de personalidade “This is your digital life” (Essa é sua vida digital). A partir de várias perguntas e respostas, o aplicativo pôde traçar os interesses e a personalidade dos usuários. Se a denúncia estiver correta, as eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos podem ter sofrido interferência direta do uso indevido de Big Data, beneficiando o atual presidente da superpotência mundial, Donald Trump.
As brincadeiras no Facebook, tais como “Qual seria sua aparência se você fosse do sexo oposto?”, “Como será sua aparência em 50 anos?”, “Como sua futura filha será?”, “Qual o significado do seu nome?” e outras tantas, acabam viralizando na mídia, o que aumenta a quantidade de participantes de maneira vertiginosa. Se você também já participou de alguma dessas “brincadeiras”, parabéns! Você é mais um entre outros milhões de usuários a fornecer acesso de forma voluntária a todos os seus dados. E, vale ressaltar, os dados dos seus amigos também entram nessa lista.
Faça um teste! Faça login em sua conta no Facebook e acesse Configurações > Aplicativos > Configurações de aplicativos. Veja a quantidade de aplicativos para os quais você deu permissão de acesso às suas informações. Você pode ficar muito surpreso com a lista de concessões… Eu fiquei com a minha.
É essa avalanche de informações, denúncias sobre exposição de dados, publicidade segmentada e indução de compras, que tem levado muitos usuários a se decidir em abandonar o Facebook, uma espécie de estratégia para proteger dados pessoais.
Mas, quem concorda com esse pensamento deveria rever sua decisão, pois é ingênuo acreditar que somente esta mídia trabalhe com coleta de dados. Um cadastro feito em uma loja após a aquisição de um produto, a compra de algo pela Internet, o fornecimento do CPF ao abastecer o veículo ou ainda o simples ato de acesso a um site são estratégias para capturar nossos dados.
Agora, se o objetivo for limitar os dados fornecidos à plataforma, é recomendável parar de fazer todos os diversos testes propostos, eliminar o acesso de aplicativos, jogos ou qualquer site que peça autorização de acesso através da conta do Facebook. Bem como, mudar as definições de privacidade da conta e desativar as opções de localização e identificação facial. Claro que essas medidas estendem-se, também, às demais mídias sociais e aplicativos.
Para muitos, essa seria uma volta ao tempo das cavernas. Lembre-se, no entanto, que a arte rupestre, como são chamados aqueles desenhos feitos nas cavernas há milhares de anos, atualmente fornece informações que são utilizadas para identificar como viviam os homens primitivos. Claro é, assim, que toda informação disponibilizada na rede responderá a um processo analítico, tal qual é feito com aquela informação milenar gravada na pedra. A diferença é que, hoje, isso é feito em tempo real. Logo, como diria Mc Marechal, “eles estudam seu sentimento, exploram sua emoção. Se eles sabem o que tu sente, podem prever sua reação”.